Os efeitos positivos dos casos de uma noite (sobre o relacionamento “oficial”)

Os efeitos positivos dos casos de uma noite (sobre o relacionamento “oficial”)

Os efeitos positivos dos casos de uma noite (sobre o relacionamento “oficial”)

Presentes como os cogumelos depois da chuva, os casos de uma noite continuam a ser condenados por destruirem as vidas, os casamentos ou os ideais.

Num mundo onde a fidelidade tem uma condição de virtude, embora não represente mais do que um produto cultural que desafia as tendências naturais (as de saltar na cama com os pensamentos aquecidos), muitos recusam-se de “ter um caso”. Ou têm, mas não reconhecem ter. Apenas as pessoas ingênuas poderiam acreditar que, além das pessoas auto-proclamadas como polígamas, ninguém dos outros desvia do caminho direito do acasalamento com uma única pessoa.

Tirar pausas dos compromissos oficiais tem conotações negativas aos olhos da maior parte das pessoas (pelo menos a nível declarativo), pois quase todos os apaixonados dão a impressão que vivem exclusivamente para a sua “alma gêmea”, que os outros tornam-se uma espécie de seres não-sexuais que não representam algum objectivo de desejo louco.

Mas para além das aparências, há verdades dificilmente digeríveis. As pessoas têm traído e continuarão a trair, independentemente do nível de veemência no tom das vozes das normas sociais a gritarem contra a infidelidade, que acusam de fortes dramas, crises de identidade, separações traumáticas e até suicídios espectaculares. As consequências negativas do amor às escondidas são intensamente analisadas, atacadas e criticadas. Já foi acordado que o facto faz parte da catergoria das coisas mãs e, provavelmente, permanecerá assim por muito tempo aqui em diante.

Sobre os efeitos positivos dos casos passageiros fala-se muito pouco. Talvez porque os experientes preferem manter os seus segredos. No entando, é uma grande pena que tal injustiça aconteça e os benefícios de um encontro de sexo a pagamento (por exemplo) sejam silenciados. Ou, ainda pior, denigrados com hipocrisia.

Então, que haja justiça!

1.-Uma grande vantagem das férias do trabalho (a tempo integral) de austeridade hormonal tem a ver com a eliminação das frustrações. Você as conhece com certeza. São aquelas pedras de moinho instaladas no seu estómago, quando o olhar avista um exemplar magnífico, enquanto o cérebro recomenda-lhe de o ignorar, pois não é adequado uma senhora “séria” babar na rua. Uma situação que se encontra frequentemente, se não até diariamente (não, não se deve preocupar, todos passamos por isso).

Como poderia ser diversamente, já que o coração do ser humano adora a diversidade? Pois, o namorado lá em casa pode ter um sorriso maroto, dotações bem-desenvoldivas e um humor especial, mas é... sempre igual. Enquanto você quer variar, esconder sob os lençóis pessoais também outros corpos prestes por ser explorados. Contra pagamento ou grátis.

A ousadia de cumprir o seu sonho (com ou sem o conhecimento do homem) vai ajudá-la a ver o relacionamento de forma diferente, como uma entidade capaz de funcionar também na ausência de restrições mórbidas.

2.-As saídas da área “regulamentar” têm, entre outras coisas, o mérito de dar ideias. Apesar das acusações tradicionais de que destrói a confiança e o apego, o hábito de experimenter orgasmos (também) com outras pessoas, pode refrescar o relacionamento principal (o paradoxo resultante é superficial).

Expor-se aos mesmos tipos de comportamentos eróticos favorece a rotina: um único membro + duas ou três posições banais + alguns ofegos = uma vida íntima desprovista de desafios.

No extremo oposto, praticar o prazer com vários companheiros de equipa intensifica a atmosfera e alarga o horizonte. Às vezes, os casos “extra” têm o poder de salvar, do fracasso, a paixão do casal.

Como é que conseguem fazer isso? Completando o relacionamento estável com aquilo que falta nesse na sua “forma natural”: liberdade, abordagens inéditas, novas práticas.

3.-Nalgumas situações, as aventuras dão uma ajuda ao relacionamento de dois apaixonados por tirá-lo fora do pedestal. Ele, o relacionamento. Não que haja alguma coisa errada com o seu posicionamento em alto. Bem pelo contrário. Mas não todos os romances devem ser puxados para o topo, como se até a sua existência os indivíduos tivessem vidivo num vazio sentimental, sendo apenas um desperdício de espaço.

Portanto, as escapadelas actuam contra a idolatria precoce, ilegítima e absoluta de um estado de facto superestimado (e automaticamente de um parceiro deificado).

Ou seja, impede-lhe de transformar X (o seu namorado) numa figura emblematica da existência, simplismente por você ter acesso a termos de comparação, em tempo real, com outras personagens. Personagens que a ajudam a perceber que não é só X a fazer manobras perigosas no quarto e resiste por 20 minutos a fio sem “explodir”. Outros também conseguem esse desempenho.

4.-A experiência da infidelidade (ou de um episódio erótico paralelo, experimentado com o consenso do consorte), faz ordem na mente e no coração, tal como as sessões de psico-terapia ou uma enorme caixa de gelado caseiro. Muitas vezes as pessoas tornam-se complacentes com várias situações desfavoráveis porque elas não sabem como ou não têm a força de ir embora. As mulheres ficam por hábito ao lado do gajo com atitudes de cercopitecóide africano, os homens também ficam resignados na companhia de uma rígida dictadora.

Nesse tipo de situações, a escolha de oxigenar o próprio cérebro em camas alheias significa dar um passo para frente, em direcção do abandono do “calvário”.

Ainda que por uma noite, o destaque do companheiro que é totalmente decepcionante, tem o potencial de lhe abrir os olhos, ajudando-a a perceber que nenhum homem é tão precioso para que valha os seus nervos e a sua boa vontade. Portanto, visite os acompanhantes, e tome também, para além das fortes penetrações, a confiança necessária para um novo início.

Nada é impossível. Se, nalgumas situações, os senhores e as senhoras de companhia têm ressuscitado os sentimentos para com o parceiro, noutros casos os têm definitivamente inibido, agindo como um duche frio. Como um meio de teletransportação para a realidade. Aquela realidade que é incompatível com a conservação do seu vacilante deles.

A moral da história? As pessoas que têm um bom funcionamento juntos, não ficam assustadas com a ideia de que uma curta “errância” possa distruir o universo comum deles. Para além do mais, eles percebem o valor do sexo sem obrigações enquanto ajuda a nível do seu desenvolvimento como um todo. Eles odeiam as proibições e vivem independentemente das ideias de possessividade, ciúmes, controle.
Na visão deles, a liberdade como estilo de vida corresponde a um ideal. Na visão dos conformistas, a falta de exclusividade representa um grande perigo.

E você, o que é que acha?