NÃO significa NÃO!

NÃO significa NÃO!

NÃO significa NÃO!

Do sexo “normal” ao sexo em posições inéditas (ou tributário aos fetiches extravagantes) há uma impressão geral que as acompanhantes estão dispostas (ou mesmo obrigadas pela natureza do trabalho) a fazer tudo o que lhes for pedido, desde que os clientes paguem por isso. E, mesmo que elas não gostem de algumas coisas, como dançar com música heany metal ou os “mimos de gato” em fato de látex, as gajas aceitam e são forçadas a jogar perfeitamente o seu papel, esperando com alguma resignação o fin do dia (ou melhor, da noite) de trabalho. Pois é isso o que elas fazem, não é? Pelo menos, é isso o que muitos dos homens surpreendidos com saber que o vocabulário das especialistas na arte do sexo, contem também a palavra “NÃO”.

Embora possa parecer mais simples de tratá-las como uns robos sensuais que executam com obediência os comandos mais estranhos, os clientes deveriam perceber que as “moças” têm também uma série de limites assumidos não por falta de profissionalismo (os cantores também não tratam todos os gêneros musicais possíveis), mas com base em preferências pessoais naturais.

O estatuto de acompanhante não as transforma automaticamente numa “mercadoria”, nem as obriga a fazer “coisas” contra a sua natureza. Bem pelo contrário, elas decidem por conta própria o que é que estão de acordo o naõ a fazer (esta é também uma das grandes vantagens profissão em causa), comunicando para os requerentes logo no início (juntamente com a “tradicional” tarifa) os detalhes das práticas consideradas tabu (a gama dessas práticas é bem variada de uma pessoa para outra).

Portanto, as pessoas que estão de acordo, conhecem bem o repertório permitido, e se houver qualquer outro tipo de acordo estabelecido entre eles, as regras deveriam ser respeitadas até ao fim, sem mudanças “durante o jogo”, devido (por exemplo) a um desejo repentino por um “sado-maso” desinibido ou de um anal rápido. Isso, pelo menos a nível teótico!

Infelizmente, há também “beneficiários” que cruzam a linha. Estes são os que “alteram” de forma decepcionante o campo em causa, com um compotamento grosseiro, provocado por uma falta de educação ou pela falsa sensação de que um pagamento adequado justifica absolutamente tudo e assim, eles podem usar o que “compraram” à vontade.

Na visão limitada deles, a manifestação de uma eventual selectividade por parte da acompanhante contradiz fortemente a própria missão existencial dela, sendo obrigada por definição (“já que ela escolheu fazer aquilo que faz”), honrando qualquer exigência, por mais bizarra, não convencional ou simplismente... estúpida que seja. Já para não falar da pestilência!

Ao contrário da ideia que a “profissional faz o impossível também”, as pessoas rezoáveis entendem que as trabalhadoras na “indústria do prazer” não representam sacos de batatas privados de sentimentos, opções ou antipatias, excelentes para ser manobrados com superioridade. Por quê? Porque, “surpresa”(!): elas também são pessoas!

Dado que sob o impulso do momento, se podem dizer e fazer muitas coisas, para depois se arrepender, recomendamos que tome certas medidas de precaução afim de evitar as situações conflictuais (tensas, lamentáveis, exageradas ou às vezes, por que não, dolorosas):

1.-Certifique-se que percebeu correctamente os limites da oferta. As amantes a pagamento têm uma multidão de talentos, mas falar sobre parábolas ou aforismos não costumam muito. Portanto, quando a beleza com voz de veludo lhe apresentar uma lista de “possibilidades” profissionais, acredite naquilo que ela diz, sem suspeitar falsas modéstias ou expressões “metafóricas” (específicas, pois é, a muitas outras mulheres).

Pois “Não, não quero colocar uma máscara de gás no meu rosto e ser espancada depois no traseiro!” significa: “Não, não quero colocar uma máscara de gás no meu rosto e ser espancada depois no traseiro!”.

Inacreditável, não é?!

2.-Não insista no local com propostas que inicialmente foram rejeitadas. Reabrir um assunto já fechado no preâmbulo do encontro, perguntando (depois de ter chegado na intimidade) como um cachorrinho insistente: “Tá bem, entendo que não queres ser espancada no traseiro, mas o que achas de um bastão pequeno? Olha, por acaso tenho um na minha mala!” será certamente repudiada. Não há nada de masi irritante do que o tipo de cliente mendicante e chato, que gosta de jogar o papel do estúpido pérfido.

Vocês tiveram um acordo claro, respeite-o enquanto tal! Ou... procure alguém tolerante perante a combinação “máscaras anti-gás e amor louco com bastões”.

O mercado é cheio de senhoritas flexíveis para com as propostas atípicas.

3.-Não use a força física. De facto, não use alguma das formas de abuso listadas no dicionário ou omitidas por este. Ainda menos, agressividade física!

A coerção através da intimidação leva a interacção para um lível inferior, característico para as primatas com distúrbios de comportamento.

Antes de se preocupar prematura e inutilmente, deve saber que o lado interno, animal e ”desatado” (no qual você provavelmente pensou), pode valorizar-se também de outra forma. Estritamente no contexto da expressividade erótica.

Caso contrário, isso chama-se maldade ou imbecilidade, “habilidades” que a maioria das vezes são punidas com retaliações femininas extremamente virulentas ou ainda pior... com a intervenção “surpresa” de reforços masculinos treinados adequadamente para esse tipo de situações. Em urgência, além do mais.

4.-Não recorra a ameaças. Respostas do tipo “a próxima vez vou para uma pessoa realmente colaborativa”, não impressionam ninguém. Abandone portanto as expressões verbais que só o mergulham sempre mais em esforços gratúitos e inúteis. Para nem falar de promessas “perigosas” como cortar os seus dias, arroxear os olhos, quebrar os ossos ou sequestrar (as piadas sobre isso também entram na categoria “secas e com possíveis repercussões relativamente à sua integridade psíquica e física”).

Além do mais, é preciso que tenha sempre conta do facto que as “moças” falam entre si, e a notícia de que voce é “indesejável” podia se propagar de forma ainda mais viral do que se imagina, e em breve, muitos das vezes em que ligar para outras acompanhantes ficarão “misteriosamente”... sem resposta.

5.-Não peça o dinheiro de volta! Acontece que defina um determinado cenário com a sua “parceira” e, em seguida, depois de terem chegado um ao lado do outro de forma mais “relaxada” (a nível da roupa), ela acuse de maneira obsoleta fortes dores de cabeça, dentes ou unhas, acalmando logo o seu apetite, através da imposição da rotina amorosa própria dele, maçante e confortável (não antes de tomar, obviamente, o seu dinheiro). Nesse tipo de situações... SIM, você tem pleno direito de agir de acordo com a total falta de correspondência entre aquilo que ela disse e aquilo que estiver acontecendo (sem violência, como já concordámos!) e de restabelecer a delicada ordem universal. Ou seja o dinheiro de volta na carteira “mãe” e a indolente deixada a continuar a desfrutar da... tranquilidade.

Além dessa única situação, as circunstâncias em que começarem um outro “cenário” diferente do que previamente concordado, não justifica o mau humor e o pedido de recuperar parcial ou integralmente as finaças (já alienadas).

Quando encomendar no restaurante um peito de pato em crosta de pimenta e à metade do almoço lhe apetecer comer rolas japonesas com ameixas, recusa-se de pagar o conto no final, apenas porque mudou de ideia durante o almoço?

* * *

Paradoxalemente, a única mulher cujas palavras refletem exactamente os seus pensamentos é a acompanhantes. Tente se lembrar dessa filosofia quase metafísica e compreender que pelo menos no caso dela... NÃO significa NÃO.