Os ciúmes nos acompanhantes casais

Os ciúmes nos acompanhantes casais

Os ciúmes nos acompanhantes casais

“Não há veneno mais forte para alma do que os ciúmes.”
(Anónimo)

O ciúme é um fenómeno relativemente comum na vida de todas as pessoas, que se manifesta subjectivamente através de um estado que oscila entre amor e ódio, realidade e projecção. Num relacionamento amoroso, esse tipo de sentimentos são considerados naturais. Claro, natural significa limites normais, longe da obsessão e do patológico.

Em suma, sem muitas digressões, seria assim que podíamos definir os ciúmes. E as coisas são assim, em termos de ciúmes, entre suas pessoas comuns, monogâmicas, com uma vida sexualmente activa, mas exclusivamente entre si.

Mas além dessas situações, há excepções isoladas de pessoas envolvidas num relacionamento estável que decidem de oferecer junta ou separadamente, serviços de acompanhamento. Mas como será que se manifestam os ciúmes nesse tipo de situações, se esses já são esmagadores em situações “normais”?

Basicamente, o ciúme pode ser considerado às vezes como uma modalidade de manifestação do amor, do interesse que uma pessoa tem pelo seu companheiro e o facto que não quer “compartilhá-lo”.

Há também pessoas que apesar desta incertidão sentimental, ficam excitadas com a ideia que o seu parceiro poderia fazer ou até já faz... sexo com outras pessoas também. Nesses casos, depois de ter tido um trabalho juntos (ou separadamente) de prazeres carnais a pagamento, não é impossível que a atmosfera fique bastante quente e os dois passem umas horas incendiárias de erotismo desinibido e cheio de paixão.

É frequente encontrar a expressão “é meu” ou “é apenas minha”, apesar deste conceito ser completamente errado, pois é impossível que as pessoas sejam realmente propriedade de alguém. É importante estabelecer um nível máximo de confiança sobre o facto que o parceiro, embora tenha relações sexuais “extraconjugais”, vai sempre regressar para a casa onde será exclusivamente marido ou mulher. Em casa, cada pessoa é genuína, é ela mesma e quer estar com as pessoas de que mais gosta.

Provavelmente você já ouviu muitas vezes a pergunta: “Como é que conseguem lidar com o facto que vocês traem-se reciprocamente quase cada dia?”, o que praticamente significa que as pessoas que manifestam a sua curiosidade, são logo no início preconcebidas, sem realmente serem interessadas na maneira em que vocês conseguem aceitar uma situaçãpo deste tipo, mas de facto são mais interessadas na “excentricidade” da situação em si, sugerindo de forma indirecta e velada que eles nunca aceitariam uma posição similar.

Por isso mesmo, um pouco de discrição seria óptima. O risco que os amigos próximos descubram a sua profissão é evidente, mas não se devem esquecer que as opinões deles são subjectivas, e os sentimentos, as emoções, os pensamentos e as opiniões sobre os serviços de acompanhante devem ser exclusivamente das pessoas implicadas efectivamente naquele fenómeno.

Outra dificuldade relativa ao desenvolvimento normal da vida íntima dos acompanhantes-casais é provocada pelo prazer que a outra “metade” sinte às vezes ao fazer sexo com outra pessoa.

Note-se que o sexo é uma necessidade fisiológica do ser humano e o corpo reage independentemente da razão, e isso significa que você não deve culpabilizar-se um ao outro pelo prazer que a sua cara revela durante aqueles momentos... nem tem motivos para ter ciúmes.

O ser humano sente prazer também ao assistir materiais pornográficos (e com certeza sente a necessidade de ter relações sexuais com um ou mais protagonistas daquelas representações), mas isso não é motivo de ciúmes. Esse tipo de coisas devem ser consideradas como tal e percebidas fora do lado emocional das manifestações humanas.

Mas também há casais onde os parceiros ficam felizes um para o outro quando sentem prazer com outras pessoas, considerando este acto mais como um “presente” indirecto do outro.

No entanto, como é que esses casais acabam oferecendo serviços de acompanhante?

Geralmente, um deles faz esta proposta, já que por vários motivos quer fazer isso envolvendo, mais ou menos, o outro também. Há também casos em que apenas um deles é acompanhante e o outro começa a querer juntar-se a ele, para oferecerem serviços juntos. Por curiosidade, puro prazer ou talvez simplismente por querer ganhar mais.

É uma questão que deve ser analisada nos mínimos detalhes e para os dois não deverá haver pressa relativamente as decisões que mais tarde será muito difícil de rectificar. Levar o outro a parar para refletir sobre a situação. Depois de começar esta actividade é possível que a relação não aguente os ciúmes e as pressões. Claro, isso não é desejável e para evitar um final infeliz, é essencial comunicar.

Comunicar não significa ter conversas superficiais, mas sim trocar ideias absolutamente sinceras e honestas, sem evitar as questões que parecem delicadas ou preocupantes.

Os dois devem estabelecer claramente os desejos e limites que sentirem mais confortáveis para evitar situações de frustração ou decepção.

Seria necessário também que os dois respondam à pergunta: “Quero realmente fazer isso?”.

Uma vez que você aceitar plenamente a decisão que tomou e não fizer isso para o outro, as coisas ficarão muito mais simples.

O que acontece quando os dois têm um pedido de trabalho juntos? Como é que reage cada um deles ao ver com os próprios olhos a pessoa que amam a oferecer e receber prazer de outra pessoa? Naturalmente há também casos felizes quando isso mesmo torna-se excitante, mas lá onde há questões não resolvidas, coisas não ditas, frustrações que envenenam por dentro, com certeza que os ciúmes aparecem e em breve goveram tudo.

Como é que o outro reage quando apenas um dos membros do casal é solicitado para oferecer serviços no meio da noite? É muito mais simples se a trabalhar forem juntos, que se um deles fica em casa enquanto o outro prepara-se, veste-se, coloca perfume e oferece-lhe um beijo rápido saindo em direcção do/da cliente que está à sua espera. Apesar de estar livre durante a noite, o outro pode estar atormentado de pensamentos e preocupações até a manhã seguinte, quando o parceiro chegar em casa. Para superar mais facilmente esse tipo de situações, o melhor é tentar ver tudo exactamente como é e manter-se desconectado. Pois, se algo desagradável tem de acontecer, irá acontecer de qualquer modo, mesmo se você trabalhar em qualquer outro domínio.

Essa profissão é perfeitamente adequada para as pessoas com dependência para o sexo, já que o envolvimento emocional provavelmente é mais uma terapia necessária para eles terem um relacionamento saudável na vida particular.

As pessoas às vezes se perguntam se os acompanhantes podem ser felizes e se podem ter uma vida normal. Ao analisarmos as coisas mais profundamente, há casais normais que podem ou não ser felizes, e isso significa que o mesmo princípio aplica-se (por analogia) aos acompanhantes também.

O motivo da felicidade é algo de subjectivo. A mesma coisa que rende uma pessoa feliz é possível que renda miserável outra pessoa. Portanto, aqueles que escolheram esse estilo de vida e se sentem tranquilos, podem ter juntos uma vida que às vezes até é mais feliz do que a dos casais “normais”.

Aquilo que basicamente rende as pessoas que prestam serviços de acompanhamento felizes e realizados é o facto que o seu parceiro não oferece a alma e o coração em troca de dinheiro, mas apenas o corpo, de onde naqueles momentos se pode destacar mentalmente.

Por outro lado, pode haver problemas e conflitos por causa das dificulades que as acompanhantes têm relativamente a uma vida que devem manter segreda. É muito difícil esconder-se a cada passo, sem saber se podes ter plena confiança nos amigos que muitas vezes revelam julgar muito duramente determinadas situações. No entanto, os psicólogos provaram que ao momento de duas pessoas sentirem que o mundo inteiro for contra eles e que não podem confiar ninguém ao seu redor, eles tendem a tornar-se muito mais próximos, e isso só pode ser bom, sobretudo nesta situação particular criada devido à sua profissão.

Quando um parceiro sentir desgosto, vergonha e desejo de deixar de oferecer serviços de acompanhamento, ele deve partilhar esses seus sentimentos com o outro para chegarem a um compromisso. Às vezes as pessoas têm empregos com os quais não são muito felizes e nem sempre vão para o trabalho entusiastas, mas quando se trata de ser acompanhante, as coisas são bem diferentes e complicadas, pois isso não é o tipo de trabalho que é possível fazer sem fortes motivações intrínsecas, sem ser impressionado e sem que aquelas possíveis lacunas do seu relacionamento fiquem ainda mais profundas. Portanto, o desejo de desistir é natural em todas as profissões e não é normal continuar apenas por causa do outro. Tal atitude não é recomendada!

Além dos ciúmes que podem haver quando um casal oferece serviços de acompanhamento, claro que pode haver também uma certa dose de medo dos perigos. Falamos aqui da possibilidade de ser atacado física ou verbalmente, como também do perigo de contrair algumas doenças sexualmente transmissíveis. Este é um medo natural, que deve ser considerado e sobre o qual é preciso falar tanto para a segurança dos dois, como para estabelecer os limites.

É impossível viver com a impressão de que a “profissão” que você tem não tenha impacto na sua vida. Ela faz parte do seu dia a dia e às vezes tem influência definitória nas decisões que tomam separada ou conjuntamente.

Para ultrapassar mais facilmente todas essas dificuldades que acompanham a decisão de ter uma profissão mais “especial”, é importante encontrar o apoio e compreensão do outro. A aproximação e a intimidade nesse tipo de situação não são nada impossíveis, mas dependem do desejo e da vontade de fazer esforços para isso. O tempo que vocês passam juntos é muito importante e não se trata apenas do tempo que passam dormindo na mesma cama. São, realmente, momentos passados juntos mas num estado de inconsciência que não é muito produtivo para o bom funcionamento do relacionamento a dois. O tempo de qualidade para os dois significa actividades comuns, incitantes, destinadas a reforçar o relacionamento através da aquisição de novas experiências onde a presença do parceiro seja essencial. Podem fazer uma assinatura para nadar juntos, se inscrever aos cursos de equitação ou dança, reservar uma noite romântica apenas para vocês, ir para um parque de diversões... e as possibilidades são infinitas. Só é preciso querer.

Quando a situação começar a parecer sempre mais difícil, quando ocorrem os conflitos, brigas e a fadiga e o stresse quase monopolizam a sua vida, uma boa solução terapêutica é um fim de semana juntos nalgum lugar longe de casa, num resort por exemplo, onde esquecer-se de todos os problemas do dia a dia e ter possibilidade de dedicar-se mais à presença do outro e passar juntos momentos felizes.

Outro método capaz de melhorar o estado de espírito quando a situação for tensa, é pegar o laptop ou o album de fotos na cama e começar a ver as fotografias que tiraram juntos no início do relacionamento, tentando lembrar-se dos sentimentos que tinham um para o outro naqueles momentos. Este exercício de recordação terá efeitos incríveis, pois depois de um tempo se darão conta que o aborrecimento e os sentimentos negativos já passaram e agora há uma boa sensação de realização. É uma espécie de “não se esqueça” que o seu relacionamento é importante, que vocês tiveram juntos momentos e recordações bonitas que trouxeram felicidades, e isso pode continuar a acontecer.

Muitas pessoas se esquecem que, oferecendo ou não serviços de acompanhamento, não é possível dar um relacionamento por certo para sempre. As relações às vezes acabam por causa de uma incompatibilidade descoberta após vários anos ou devido à situação em que as coisas ocorrem. É importante aceitar que às vezes o relacionamento não pode continuar, quer que seja por causa do trabalho ou não. Se o casal estiver em dissolução por causa dos ciúmes, é preciso que os dois percebam que foi isso que levou o relacionamento ao fim, para que no futuro nenhum deles volte a fazer a mesma coisa ou pelo menos que saiba como tratá-la nas relações futuras.

Cada pessoa lida com as dificuldades e com os ciúmes de maneira diferente, mas aquilo que vai ser útil para ultrapassar essas situações, é perceber que não pode, pelo menos, ter ciúmes nos clientes do outro, pela simples razão que cada um de vocês é melhor do que eles. O seu parceiro decidiu escolher você e isso é o mais importante!